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Letras Caminhantes

por Jully Basilio

Um dia melhor

Hoje foi mais um dia como outro qualquer. Só que menos vazio. Como dizem, cada dia um passo. Ainda que seja devagar.

Ainda estou tentando me encontrar. Olho pra dentro de mim e vejo tudo meio turvo, meio incerto. Isso me causa dor de cabeça e tristeza, mas hoje foi um dia melhor.

Melhor porque respirei. Fiz acontecer, ainda que pouco. Demorei a levantar da cama, mas quando o fiz, foi melhor que ontem.

Hoje não tenho tanto a dizer como ontem. Estou mais leve, ainda com um buraco no peito, mas um pouco aliviada. Um pouco mais de esperança. Um pouco menos de dor.

Quão bom seria se cada dia fosse melhor que ontem.

Apenas um desabafo

Não sei se ainda sei escrever. Já faz tanto tempo desde a última vez em que coloquei meus pensamentos em palavras. Eu era muito boa nisso, hoje em dia mal sei falar.

Mas, sinto que estou com tantas coisas presas dentro de mim, e é como se eu me afogasse nesse emaranhado de palavras não ditas. Um amontoado de coisas, pensamentos, medos, anseios, desesperos e desesperanças que me afligem de uma forma que já não sei mais como reagir.

A apatia tomou conta de mim. A minha vida ligou no modo automático, mas isso é desesperador. Sinto que me perdi de mim mesma, e que a Juliana que eu conheci foi embora pelo ralo. E não faço ideia de como recuperá-la. Realmente não sei como colocar de novo minha vida nos eixos.

É tudo tão triste. Já procurei ajuda. Terapia, conversas e mais conversas. Nem mesmo o espiritual consegue me alcançar. É como se por dentro eu já desisti de tudo. Nada me preenche. Nem mesmo os remédios fizeram efeito. Cheguei a pensar que estou amaldiçoada. Mas maldição maior do que ter nascido acredito que não exista.

Quando paro pra pensar num quadro geral da minha vida, ela sempre foi uma grande merda. Minha infância foi traumática, a adolescência nem se fala. Minha história é marcada por agressões físicas e verbais, relacionamentos abusivos ou tóxicos, humilhações, escolhas erradas e a sensação de ter vivido numa prisão interna. Viver sempre foi um fardo pra mim, desde muito nova. E não há nada que me faça ter alguma expectativa. Eu tô andando no automático há tanto tempo…

Eu nem sei se ainda dói viver. Eu simplesmente sinto uma agonia de existir. Uma agonia sem fim. É como se um enorme buraco me corroesse por dentro. E isso não passa nunca. E eu tô cansada. Cansada de lutar, cansada de tentar, cansada de acordar todos os dias, cansada de habitar esse corpo. Eu só queria ser livre pra sempre. Mas parece que demora muito viver.

Enquanto estou aqui, escrevendo esse texto sem nenhuma pretensão, ainda espero que um dia esse fardo não pese tanto. Talvez isso se chame esperança. Esperança pelo grande dia em que não precisarei mais lutar ou sentir esse enorme buraco dentro de mim.

Mas por hoje, continuarei apenas existindo.

Senhora das Águas

Águas transbordam dos meus olhos

Quando sinto seu amor quente se aproximando

Esse amor primordial que mal consigo compreender

Suas mãos já velhas e calejadas acariciam minha cabeça

Meu bem mais precioso que tu zelas

Teu abraço é tão profundo quanto o rio mais antigo de todo o Aiye

Me deito e descanso em braços feitos de água doce e choro,

Choro todas as dores e alegrias que não cabem dentro de mim,

Que são tão imensas que precisam se desfazer em águas

Imensidão de calmaria se torna meu coração quando estás por perto

Mas quando estás longe vazia e escura se torna a minha existência

Com suas águas frescas lavou minhas feridas, enxugou meus olhos e ofereceu o abraço que iluminou a minha escuridão

Juliana Basilio

O Chamado da Montanha

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Dizem que colocar para fora o que está sentindo é uma boa forma de não mais sentir. Não sei até que ponto isso pode ser verdade, mas o vazio nunca vai embora. E o vazio dói. O vazio começa como um pequeno buraco na alma e vai se tornando uma cratera sem fim. Não há nada que faça parar isso. Não há religião, não há deus, não há remédio, não há nada…além da natureza. A única coisa que me dá paz é botar os pés na terra, tocar uma árvore, sentir o vento e caminhar por florestas. Essa é a única coisa da vida que me preenche.

Mas, como manter isso se moro num lugar de concreto. Se trabalho 8 horas por dia trancada em um escritório gélido pelo ar condicionado. Se levo 4h do meu dia para ir e vir do trabalho? Como ser feliz com essa rotina? Tenho dinheiro todo fim do mês, mas não tenho alegria nessa conquista. Não tenho alegria na forma como a sociedade vive. Olho pela janela e não vejo uma forma de resolver isso.

A única vontade que tenho é de voar pelos ares. Sobrevoar montanhas inexploradas pelos homens. Pisar em terras desconhecidas. Sentir a água gelada batendo em minha pele. Afundar os pés em terras molhadas pela chuva. Mergulhar em rios e oceanos distantes. A minha alma quer voar. A minha alma quer ser verdadeiramente livre. E tem dias que estar presa nessa vida medíocre são mais insuportáveis que os outros. Tem dias que as montanhas chamam mais forte. Tem dia que o canto dos pássaros são feitos especialmente para mim. Tem dias que o canto do Anú parece me chamar para viver uma aventura longínqua.

Eu vivo dia após dia com a sensação de que não me encaixo aqui. Eu olho a minha volta e sinto que não faço parte de nada disso. Esse corpo é uma prisão muito dolorida. Sinto saudade de casa, mas sequer sei onde é, só sei que não é aqui. Sinto saudades de uma vida que nem sei como foi ou onde foi. Mas as montanhas chamam. As árvores gritam. Os ventos sussurram e a vida oculta dentro dos bosques dizem apenas com o olhar que vai ficar tudo bem e que estou indo bem até aqui e que um dia, finalmente, me juntarei à eles.

Juliana da Silva

A Sombra

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As dores vem e vão. A solidão caminha pelos corredores apertados do coração, enquanto a melancolia chega com o seu manto, tomando conta de todos os cômodos. Há uma legião de sentimentos que compõe a Sombra. Quando ela chega, abro a porta, ofereço um chá e puxo uma cadeira. Chamo-a para conversar. Continuar lendo “A Sombra”

A Maldição da Montanha

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Era noite. Estava escuro. Bem mais escuro que o normal. As luzes da cidade há muitas horas já haviam se apagado. Todos dormiam em silêncio profundo. Enquanto eu permanecia acordada. Olhando o infinito. Caminhava pela rua, tentando colocar os pensamentos em ordem.  Continuar lendo “A Maldição da Montanha”

O Velho na Estrada

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Caminhando pela rua encontrei um velho senhor, conhecido de muito tempo, talvez até de outras vidas. Era uma tarde fria, um tanto nublada, se não fosse pelo som das folhas sendo levadas para lá e para cá pelo vento, a rua estaria quase que em completo silêncio.  Continuar lendo “O Velho na Estrada”

Lamento no Rio

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Os caminhos da mata costumam ser traiçoeiros e tortuosos. Por vezes há espinhos e pedras, outras vezes rosas e folhas frescas. É sempre incerto, impossível de saber antes de já estar emaranhado nas profundezas dessa imensidão de árvores.  Continuar lendo “Lamento no Rio”

Como ondas…

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O vazio vai e vem como as ondas do mar e batem nas rochas com toda a violência. E acontece como diz naquele ditado. De tanto que batem, uma hora a pedra desmorona. E o peso da pedra é tão grande que ela afunda e vai repousar nas profundezas do oceano. Para sempre. Um descanso eterno no imenso escuro da existência. Continuar lendo “Como ondas…”

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