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Letras Caminhantes

por Jully Basilio

Senhora das Águas

Águas transbordam dos meus olhos

Quando sinto seu amor quente se aproximando

Esse amor primordial que mal consigo compreender

Suas mãos já velhas e calejadas acariciam minha cabeça

Meu bem mais precioso que tu zelas

Teu abraço é tão profundo quanto o rio mais antigo de todo o Aiye

Me deito e descanso em braços feitos de água doce e choro,

Choro todas as dores e alegrias que não cabem dentro de mim,

Que são tão imensas que precisam se desfazer em águas

Imensidão de calmaria se torna meu coração quando estás por perto

Mas quando estás longe vazia e escura se torna a minha existência

Com suas águas frescas lavou minhas feridas, enxugou meus olhos e ofereceu o abraço que iluminou a minha escuridão

Juliana Basilio

O Chamado da Montanha

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Dizem que colocar para fora o que está sentindo é uma boa forma de não mais sentir. Não sei até que ponto isso pode ser verdade, mas o vazio nunca vai embora. E o vazio dói. O vazio começa como um pequeno buraco na alma e vai se tornando uma cratera sem fim. Não há nada que faça parar isso. Não há religião, não há deus, não há remédio, não há nada…além da natureza. A única coisa que me dá paz é botar os pés na terra, tocar uma árvore, sentir o vento e caminhar por florestas. Essa é a única coisa da vida que me preenche.

Mas, como manter isso se moro num lugar de concreto. Se trabalho 8 horas por dia trancada em um escritório gélido pelo ar condicionado. Se levo 4h do meu dia para ir e vir do trabalho? Como ser feliz com essa rotina? Tenho dinheiro todo fim do mês, mas não tenho alegria nessa conquista. Não tenho alegria na forma como a sociedade vive. Olho pela janela e não vejo uma forma de resolver isso.

A única vontade que tenho é de voar pelos ares. Sobrevoar montanhas inexploradas pelos homens. Pisar em terras desconhecidas. Sentir a água gelada batendo em minha pele. Afundar os pés em terras molhadas pela chuva. Mergulhar em rios e oceanos distantes. A minha alma quer voar. A minha alma quer ser verdadeiramente livre. E tem dias que estar presa nessa vida medíocre são mais insuportáveis que os outros. Tem dias que as montanhas chamam mais forte. Tem dia que o canto dos pássaros são feitos especialmente para mim. Tem dias que o canto do Anú parece me chamar para viver uma aventura longínqua.

Eu vivo dia após dia com a sensação de que não me encaixo aqui. Eu olho a minha volta e sinto que não faço parte de nada disso. Esse corpo é uma prisão muito dolorida. Sinto saudade de casa, mas sequer sei onde é, só sei que não é aqui. Sinto saudades de uma vida que nem sei como foi ou onde foi. Mas as montanhas chamam. As árvores gritam. Os ventos sussurram e a vida oculta dentro dos bosques dizem apenas com o olhar que vai ficar tudo bem e que estou indo bem até aqui e que um dia, finalmente, me juntarei à eles.

Juliana da Silva

A Sombra

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As dores vem e vão. A solidão caminha pelos corredores apertados do coração, enquanto a melancolia chega com o seu manto, tomando conta de todos os cômodos. Há uma legião de sentimentos que compõe a Sombra. Quando ela chega, abro a porta, ofereço um chá e puxo uma cadeira. Chamo-a para conversar. Continuar lendo “A Sombra”

A Maldição da Montanha

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Era noite. Estava escuro. Bem mais escuro que o normal. As luzes da cidade há muitas horas já haviam se apagado. Todos dormiam em silêncio profundo. Enquanto eu permanecia acordada. Olhando o infinito. Caminhava pela rua, tentando colocar os pensamentos em ordem.  Continuar lendo “A Maldição da Montanha”

O Velho na Estrada

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Caminhando pela rua encontrei um velho senhor, conhecido de muito tempo, talvez até de outras vidas. Era uma tarde fria, um tanto nublada, se não fosse pelo som das folhas sendo levadas para lá e para cá pelo vento, a rua estaria quase que em completo silêncio.  Continuar lendo “O Velho na Estrada”

Lamento no Rio

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Os caminhos da mata costumam ser traiçoeiros e tortuosos. Por vezes há espinhos e pedras, outras vezes rosas e folhas frescas. É sempre incerto, impossível de saber antes de já estar emaranhado nas profundezas dessa imensidão de árvores.  Continuar lendo “Lamento no Rio”

Como ondas…

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O vazio vai e vem como as ondas do mar e batem nas rochas com toda a violência. E acontece como diz naquele ditado. De tanto que batem, uma hora a pedra desmorona. E o peso da pedra é tão grande que ela afunda e vai repousar nas profundezas do oceano. Para sempre. Um descanso eterno no imenso escuro da existência. Continuar lendo “Como ondas…”

Um dia de chuva

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Na Força da Floresta

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As sombras acima das nuvens escondem mundos fluídos. Espirais feitas de flores negras, ideias primordiais que pulsam em fragmentos de luz. Continuar lendo “Na Força da Floresta”

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